Mil versões para uma mesma frase em sânscrito
Na edição do Yôga Sutra de Patañjali com tradução do Comendador DeRose para o português, o tradutor lista 20 traduções diferentes para o sútra 2 do capítulo primeiro da obra, feita por diversos autores respeitados.
O sútra em questão é:
Yôgash chitta vrtti nirôdhah (isto é uma transliteração: na verdade a frase original está grafada em dêvanágarí, os caracteres do sânscrito)
As traduções:
- Shivánanda: O Yôga é a supressão dos turbilhões mentais.
- Vishnudêvánanda: O Yôga consiste em suprimir as atividades da mente.
- Satchidánanda: Yôga é a restrição das modificações da matéria mental.
- Vivêkánanda: Yôga é impedir que a matéria mental tome formas variadas.
- Lin Yutang: Yôga é impedir que a substância mental tome formas variadas.
- Satya Prakash: Yôga é a inibição das funçoes da mente.
- Padmánanda: Yôga é o controle das idéias no espírito.
- Prabhávánanda: Yôga é o controle das ondas-pensamento na mente.
- Taimni: Yôga é a inibição das modificações da mente.
- Purôhit Swámi: Yôga é controlar as atividades da mente.
- Yôgendra: Yôga é restringir de modificações o complexo-personalidade.
- Dêshikachar: Yôga é a habilidade de dirigir a mente exclusivamente para um objeto e suster essa direção sem quaisquer distrações
- Dêshpandê: O Yôga é o estado do ser em que o movimento ideacional eletivo da mente retarda-se e chega a deter-se.
- Eliade: Yôga é a supressão dos estados da consciência.
- Stephen: O Yôga pode ser atingido pelo domínio da tendência natural da mente de reagir a impressões.
- Bailey: O Yôga alcança-se mediante a subjugação da natureza psíquica e a sujeição da mente.
- Gardini: O Yôga é a supressão das modificações da mente.
- Johnston: A União, a consciência espiritual, logra-se por meio do domínio da versátil natureza psíquica.
- Tola e Dragonetti: Yôga é a restrição dos processos da mente.
- Ernest E. Wood: Yôga é o controle das idéias na mente.
Finalmente, a de DeRose é: Yôga é a supressão da instabilidade da consciência.
Diz o tradutor no início do livro:
O que me levou a editar esta obra originalmente em 1982, foi o fato curioso de que a maior parte das traduções do Yôga Sutra que se tornaram populares no Ocidente foi feita sem a assistência de um Mestre de Yôga! Tal consultoria é absolutamente imprescindível, pois não basta conhecer a língua sânscrita para conseguir uma tradução correta. É preciso conhecer a filosofia de que o texto está tratando para que seja coerente.