Mudrá: gesto reflexológico, magnético e simbólico feito com as mãos
A definição técnica de mudrá é gesto reflexológico, magnético e simbólico feito com as mãos.
No Ády Ashtánga Sádhana – prática básica dividida em oito partes – o mudrá é a primeira parte ou anga.
Como diz a definição, só pode ser feito com as mãos e nenhuma outra parte do corpo.
Vejamos o que diz o professor DeRose em seu SwáSthya Yôga Shastra:
Mudrá é a linguagem gestual. Deve ser pronunciado sempre com a tônico. Significa literalmente gesto, selo ou senha. Provém da raiz mud, alegrar-se, gostar. Em alguns livros aparece traduzido como símbolo, mas isso não está correto. Símbolo é a tradução da palavra yantra. Em Yôga, mudrá designa os gestos feitos com as mãos. São definidos como gestos reflexológicos por desencadear uma sucessão de estados de consciência e mesmo de estados fisiológicos associados aos primeiros.
É inegável que as mãos tem papel importante na consciência humana. Com muitas terminações nervosas e um grande número de áreas cerebrais a elas dedicados, essa particularidade anatômica andou lado a lado com outros fatores para determinar a evolução dos homens. O desenvolvimento do cérebro só foi possível depois do desenvolvimento das mãos e de um polegar opositor, que permitiu que segurássemos ferramentas e construíssemos uma cultura e uma sociedade cada vez mais complexas
Não é à toa que os mudrás estão logo no começo da prática para iniciantes. Através deles é possível se identificar com os arquétipos de uma tradição milenar como o Yôga Antigo e até mesmo desencadear estados orgânicos e de consciência diferenciados.
Não se sabe ao certo o número de mudrás. No SwáSthya Yôga Shastra, que pode ser baixado grátis, você encontra 108 deles, com destaque para os seguintes:
Shiva mudrá, para meditação (dorso da mão positiva pousa sobre a palma da mão negativa). Neste mudrá devemos sentir nossas mãos como um cálice no qual recebemos a preciosa herança milenar de força e sabedoria. Amplifica nossa receptividade.
Jñána mudrá, para meditação e respiratório (dedos indicador e polegar de cada mão tocam-se).
Este gesto conecta os pólos positivo e negativo representados pelos dedos indicador e polegar de cada mão, passando por eles uma corrente de baixa amperagem e apoiados sobre os chakras dos joelhos, que são secundários.
Átmam mudrá, para respiratório e mantra (as mãos formam um vórtice diante do swádhisthána chakra); Este selo tem um efeito semelhante ao anterior, só que agora com os dez dedos envolvidos, formando o circuito de alta amperagem, e localizado diante de um chakra principal. Cria um empuxo que ascensiona a energia sexual coluna acima.
Prônam mudrá, para mantra e ásana (palmas das mãos unidas à frente do peito).
Nesta senha, a mão de polaridade positiva se espalma na de polaridade negativa, fechando um importante circuito eletromagnético que faz circular a energia dentro do próprio corpo e recarregá-lo, especialmente se executado durante ou após os mantras. Nos ásanas, tende a proporcionar mais senso de equilíbrio e por isso mesmo é mais utilizado nos ásanas de apoio num só pé.
Trimurti mudrá, para ásana (os dedos indicadores e polegares formando um triângulo).
Este mudrá é simbólico e representa a trimurti hindu, Brahmá, Vishnu e Shiva. Por ter poucos efeitos, é mais utilizado como suporte em movimentação de braços durante a execução de ásanas.
Existem muitos outros mudrás no SwáSthya Yôga. Se você gostou desse anga, não deixe de perguntar ao seu instrutor sobre ele e sobre como você pode aprimorá-lo.





1 comentário
[...] O blog da Unidade Alto da XV publicou hoje um artigo sobre mudrá, o primeiro anga, ou parte, do Ády Ashtánga Sádhana [...]
Deixe um comentário