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Fotos da Festa Junina na Unidade Batel

Neste fim de semana aconteceu uma incrível festa junina na Unidade Batel, com a presença de instrutores, alunos e amigos de alunos do Método DeRose. Foi divertidíssimo, com direito a quadrilha e a comidas típicas.

Na imagem acima, a instrutora Evelyne Baldan.

29/6/2010   1 comentário

Fotos do fim de semana com o professor Fábio Euksuzian

O professor Fábio Euksuzian esteve na Unidade Alto da XV no mais recente fim de semana para ministrar diversos cursos e para a noite de autógrafos de seus livros.

Confira as imagens deste fim de semana com o professor Fábio Euksuzian no nosso álbum do Facebook.

Na imagem acima, o professor Nilzo Andrade, à esquerda, e o professor Fábio Euksuzian.

29/6/2010   Sem comentários

Fim de semana com o professor Fábio Euksuzian

Nesta sexta-feira à noite, dia 25 de junho, acontece um bate-papo e a noite de autógrafos com o professor Fábio Euksuzian. Seus livros, Poesia e Yôga em Dupla e seu CD Relaxe e Desperte, terão 15% de desconto.

No sábado, dia 26 de junho, às 10h, ele ministra o curso Prática em Dupla. No domingo, dia 27 de junho, Euksuzian, ministra às 11h, o curso Kriyá – A Alquimia da Purificação. Para inscrição nos dois cursos, um super desconto: consulte o seu instrutor ou peça informações na secretaria da escola.

22/6/2010   1 comentário

Carta da aluna Adriana Machado ao professor Rogério Brant

Ao homem que tem o poder da materialização.

Agradeço-o.

Primeiramente por transformar uma filosofia em uma casa laranja na rua Itupava. Sem ela neste local, talvez não teria travado conhecimento desta forma de melhoria de estilo de vida. Através dela muitos, como eu, puderam visualizar a oportunidade que já existia, mas não eram suficientemente perceptivos para conhecê-la.

A alguém que através do corpo mais denso nos faz trabalhar os corpos mais sutis.
Com as permanências nos ásanas nos ensina a persistir.
Traz força de caráter e de vontade com ásanas de força.
Flexibilidade nas tomadas de decisões, nos relacionamentos.
Ensina-nos a ter estabilidade, conforto e estética.
Educa nossas emoções com o controle da respiração, possibilitanto a aquisição do poder de escolher o que queremos sentir.
Com essas ferramentas ajuda-nos na escolha do que faremos e de quem queremos ser.

Com as passagens coreográficas demonstra como nossas ações devem ser transformadas. Mostra que devemos utilizar a energia ciclicamente, movimentando-nos pela vida de forma graciosa e fluida. Que a visualização do ásana seguinte e de como faremos para chegar até ele serve também para nossos projetos pessoais.

Aquele que atrai as pessoas com o que podem ver. Pessoas que precisam ver pra crer, por somente terem apendido desta forma. Para posteriormente mostrá-las que aquilo que sabiam era um grão de areia em um universo de possibilidades.

Roger,
Agradeço por ter me influenciado. Tenho eterna gratidão por ter dado sentido à minha vida. Agradeço por ser um guia nesta bela trilha.

Abraços,
Adriana Machado

22/6/2010   2 comentários

Entrevista com DeRose – Parte 15: heart hunters

Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

Se o senhor escrevesse agora não o “Eu me lembro”, mas o “Eu sonho”, que sonho é que se escreveria?

Na verdade, no “Eu me lembro” eu não conseguiria acrescentar mais nada, porque aquele livro me saiu numa arrancada só. Às sete da noite eu comecei a escrever. Às sete da manhã, fui descansar. E pronto, estava terminado.

E o “Eu sonho”, o que é que tinha lá dentro?

Não sei. Há muita coisa! Eu tenho muitos sonhos!

Mas vê, com certeza. Nós sonhamos que os nossos filhos cresçam num mundo, numa determinada direção. E nós configuramos qual é essa direção. O senhor não “hipotecou”, não investiu 50 anos de investigação, em procura de saberes, sem sentir dentro de si onde é que queria chegar? Onde é que quer chegar?

Eu gostaria de chegar a um ponto em que as pessoas, minimamente, escutassem o que nós temos a dizer. Que nos permitissem falar. Que não nos amordaçassem. Nós temos coisas muito boas para dizer, não propondo um debate, mas propondo uma reflexão. O que ocorre é que os que não gostam do sistema, ou pensam que não gostam, não escutaram. Eles não conversaram comigo, não conversaram conosco, não conheceram a nossa gente, não leram nossos livros. O meu sonho seria poder arrancar essa mordaça.

Eu me sinto sob aquela punição antiga, punição eclesiástica, denominada silêncio obsequioso. “Disse o que não devia, não falará mais.” Não querem que eu fale. Mas você observa que o que eu digo não é polêmico. Não considero polêmico, porque nós não estamos polemizando, nós não estamos discordando dos outros. Não é agressivo, acho que não é, não tenho intenção de que seja. Não quero agredir ninguém. E a proposta é boa, a proposta de boas relações humanas, boas maneiras, boa saúde, boa qualidade de vida, boa cultura, bons hábitos. Nós trabalhamos essencialmente com adultos jovens. Portanto, ao produzir uma juventude saudável, longe das drogas, do álcool e do fumo, se mais nada prestasse no nosso trabalho, pelo menos isso seria uma contribuição a ser reconhecida. Contribuição essa que o nosso trabalho já está há meio século proporcionando à sociedade.

Para nós que de fora visitamos a Sua Cultura, vamos fazer um exercício de flash. A sua visão ou a sua missão aponta para onde? Onde é o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida?

Eu tenho conhecido gente muito interessante, realmente exemplos de seres humanos. Pessoas com quem eu tenho o privilégio de conviver. Algumas há mais de 30 anos, outras há mais de 20 anos, outras que eu estou conhecendo agora, como é o seu caso, e que para mim constitui um privilégio. Essa profissão nossa, esse nosso ideal, nos permite isso: conhecer pessoas. Nós não somos head hunters, nós somos heart hunters.

Links de todas as partes já publicadas:

A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.

(fonte)

13/6/2010   Sem comentários

Entrevista com DeRose – Parte 14: sem rótulos

Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

A importância do indivíduo mais consciente, mais lúcido, mais atuante a todos os níveis. É isso que a Sua Cultura quer relançar dentro da sociedade?

Precisamente. A tendência é colocar um rótulo nessa Cultura. Eu prefiro chamar de Nossa Cultura ou Nosso Sistema, Nossa Filosofia, evitando colocar rótulo. Por quê? Porque na hora em que as pessoas colocam rótulos, elas engessam a coisa. E aí começam todas as intolerâncias, até com relação a quem está fora. Uma das confusões que eu procuro corrigir, uma das visões distorcidas, é que a pessoa pratique o Método dentro da sala de aula na qual ela o aprende. Só que ali é para aprender, não é para praticar. É para pôr em prática na vida real.

Por exemplo, se dentro de uma sala de classe, nós ensinamos a respirar corretamente, na hora em que a pessoa sai por aquela porta e vai embora, ela não há de sair respirando errado. Caso contrário, não terá adiantado nada. Ela aprendeu a respirar certo aqui dentro, agora deve sair respirando certo e ir caminhando até ao seu carro respirando certo, deve sentar-se e conduzir o veículo, respirando corretamente. Chega ao seu escritório e vai trabalhar, ou chega ao seu ginásio e vai fazer esporte, respirando corretamente. Vai respirar corretamente, de forma mais produtiva, sempre, porque foi isso que aprendeu aqui. Eu usei como exemplo a respiração, contudo, poderia utilizar qualquer outra técnica para ilustrar. Esse conjunto de técnicas e conceitos que o praticante aprende na nossa instituição, ele deve aplicar em todas as situações da vida. Isso é o que nós tentamos explicar, tentamos expor. Que o nosso aluno vai transmitir isso, vai irradiar isso, para toda a sociedade, porque ele vai irradiar para a família, vai irradiar aos amigos, vai reverberar aos seus colegas de trabalho. Então, aquilo vai criando ondas de choque e nossa proposta acaba por contagiar de uma forma positiva todas as pessoas que travam contato com o nosso praticante.

Se o Carl Sagan dizia que a sociedade corrompe o indivíduo, esse efeito impregnador também pode funcionar, e deve, e o senhor pretende que funcione em sentido contrário?

Sabemos que a sociedade influencia o indivíduo. No entanto, o indivíduo também influencia a sociedade.

Links de todas as partes já publicadas:

      A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.

      (fonte)

      13/6/2010   2 comentários

      Entrevista com DeRose – Parte 13: não-agressão ativa e jamais passiva

      Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

      Isso não é o que nós entendemos ou que a Sua Cultura descreve como ahimsá? Não é o trocar o fel por mel, é algo muito mais profundo?

      Nossa Cultura propõe um conceito de não-agressão ativa e jamais passiva. Se você tiver maturidade e auto-estima, tem condições de compreender que determinada pessoa está sendo agressiva porque ela tem medo. Uma pessoa é agressiva quando teme.

      Se aqui entrar a Jaya, que é minha weimaraner, um cão de grande porte, abanando o rabinho, nós vamos dizer: “que bonitinha, vem cá, deixe-me fazer um carinho.” Mas, se entrar aqui, rosnando, mostrando os dentes, você logo diz: “tira esse bicho daqui senão eu dou uma pedrada nele.” Por que você ficou agressivo? Ficou agressivo porque sentiu medo. E assim é em todas as situações. Se você prestar atenção, analisar com imparcialidade, vai notar que, em todos os momentos nos quais uma pessoa ficou agressiva foi porque ela sentiu medo, sentiu-se ameaçada, entrou em defensiva. Algumas pessoas são assim o tempo todo porque o mundo lhes parece ameaçador.

      Se alguém lhe for agressivo, você pode, ou ter uma reação imatura, que é: foi agressivo comigo, devolvo-lhe agressividade e meia. Ou pode ter uma reação ponderada, de pessoa que tem elevada autoestima e que tem maturidade. Se foi agressivo comigo, eu tenho que compreender que você se sentiu agredido por mim, mas eu não tive a intenção de agredi-lo; você se sentiu ameaçado por mim, mas eu não tive a intenção de ameaçá-lo; você talvez tenha tido um péssimo dia; talvez tenha um péssimo casamento; não sei, talvez tenha dificuldades, problemas na sua vida. E eu vou devolver mais agressividade? Isso não vai me ajudar. Não vai ajudar a nossa relação, quer seja uma relação de negócios, se for uma relação de amizade, não importa o quê. Devolver agressividade é tentar combater o ódio com mais ódio. Tentar combater fogo com gasolina. Essa atitude não ajuda.

      Eu gostei muito da sua frase “devolver fel com mel”. É interessante, é mais ou menos isso. Porque se a pessoa agrediu e você lhe retribui com um sorriso, um sorriso sincero, aquela agressividade se reduz. Reduz-se drasticamente.

      Lembro-me de uma situação em que houve encontro de duas linhas filosóficas de nomes quase idênticos, mas que são antagônicas. Nesse encontro, entre as duas filosofias, uma senhora, professora da outra linha veio caminhando na minha direção, com o dedo em riste e disse: “DeRose, você isso, você aquilo!” E começou a me insultar em altos brados, com a intenção assumida de que todos escutassem. Imagine a cena kafkiana: ela era professora de uma filosofia que prega o equilíbrio, a não-agressão e o autocontrole, insultando e agredindo outro professor, só por ser linha diferente! Todos pararam para ver qual seria a minha reação. “Será que tudo isso que ele diz, afinal é mentira? Como será que ele vai reagir? Ele vai dizer umas boas a essa senhora? Vai gritar com ela? Talvez agredi-la? Vai virar-lhe as costas e sair andando como um mal educado? Ou vai ficar parado ouvindo, passivamente, deixando que ela agrida, fale, fale, fale, insulte, insulte, insulte? Qual será a reação?”

      A reação foi: agarrei a senhora, abracei-a fortemente e quando eu a soltei, ela já não tinha mais agressão alguma, não tinha insulto algum para dizer. Quando eu a soltei, ela olhou para mim e disse: “Ah! DeRose, você, hein?” Pronto, tirou o fel com o mel do abraço, sem dar a outra face, sem ficar passivamente escutando as agressões dela e sem devolver as agressões o que, afinal, não ajudaria nada a minha relação com ela, não ajudaria nada minha imagem com os outros que estavam assistindo. E também não me ajudaria comigo mesmo, porque naquela noite eu não teria dormido tão bem.

      Isso pressupõe o tal indivíduo que a Sua Cultura, o Método DeRose, pretende esculpir, do tal indivíduo lúcido, que se apercebe de uma forma como quem vê um filme o que está a acontecer à sua volta, e reage de uma forma atuante, consciente e lúcida, e não de uma forma primária.

      Exatamente. Vamos trazer isso para a realidade de um casal, de um casamento, enfim, qualquer relacionamento afetivo. Em um casal, ambos sabem exatamente qual é a fisionomia, qual é o tom de voz e qual é a frase que irrita o outro. Sabem perfeitamente, pois vivem juntos. E num conflito de casal se este disse aquela palavra ou fez aquela cara, o outro sabe exatamente qual é a fisionomia, qual é o tom de voz e qual é a palavra que vai agradá-lo, que vai atenuar aquela situação. Mas por que não diz? “Porque eu não vou me dobrar, não vou ceder, senão o outro pisa em mim.”

      Depende da sua atitude, ao dar essa palavra para interromper o conflito conjugal que pode surgir ali. E depois estabelecer limites. Se essa relação pode ser mantida, ela vai ser mantida com respeito, com consideração, com carinho, com companheirismo. Se não puder ser mantida, é uma pena. Porque toda relação que se rompe tem um custo emocional muito caro, um custo sobre a saúde muito alto. Mas, paciência. Há um momento mágico em que as relações precisam mesmo terminar porque, nesse caso, os protagonistas terminam o relacionamento como amigos. E se ultrapassar o momento mágico e as pessoas insistirem que têm de permanecer juntas, talvez na hora em que mudarem o status quo, rompam como inimigos, com ressentimentos.

      Às vezes, é apenas a questão de “hoje eu cedo e amanhã a outra pessoa vai ceder”. Porque há uma reciprocidade natural entre os seres humanos. Quando você tem uma atitude cavalheiresca, uma atitude fidalga com relação a uma pessoa, mesmo que íntima, mesmo que seja um irmão, mesmo que seja um cônjuge, a tendência é que o outro reaja de uma forma semelhante numa circunstância imediata ou futura. Certa vez, um amigo meu estava dirigindo e conduzia muito mal. Fez uma conversão péssima e o outro motorista quase abalroou o carro dele, pôs a cabeça para fora e já ia dizer uns impropérios. Esse meu amigo abriu-lhe um sorriso muito simpático, como quem diz: desculpe, eu errei. O outro motorista botou a cabeça para dentro e disse: “vai, meu filho, vai!” E não deu briga. O que evitou o confronto? Foi só um sorriso.

      Links de todas as partes já publicadas:

          A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.

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          13/6/2010   3 comentários

          Entrevista com DeRose – Parte 12: encontro com o Mestre

          Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

          No “Encontro com o Mestre”, o pós-imberbe DeRose encontra-se com o DeRose já maduro, já consciente. O que é que o Mestre já consciente diria hoje ao DeRose pós-imberbe? Seria a mesma coisa que disse no livro?

          Iria resultar no mesmo desencontro que eu expus no livro, porque ali era o autor com 58 anos, conversando com ele mesmo aos 18. Foi uma ficção, em que o DeRose de 18 anos aparece na vida do DeRose de 58. Ele, então, discorda, discute, debate. Ele diz: “não pode ser assim; eu não concordo com isso; isto não pode ser”. E o diálogo entre os dois, entre o jovem idealista de 18 e o homem experiente de 58, pretende dar ao leitor um equilíbrio entre as duas opiniões, porque muitos dos nossos leitores têm 18, 20, 25, 30, e outros têm 50, 60, 70, 80. São dois universos completamente diferentes e o livro procura casar esses dois universos, mostrando que ambos estão corretos, que tudo é uma questão de perspectiva.

          Os dois equilibram-se? São uma mesma coisa? São dois olhares sobre a mesma coisa? Ou um é uma evolução sobre o outro?

          Eu diria que, na verdade, os dois têm seus preconceitos, seus pré-conceitos. Ambos discriminam e ambos procuram não discriminar. Ambos tentam não ter preconceitos e aí, o mais velho aprende com o mais novo, e o mais novo aprende com o mais velho.

          Nós tendemos a acrescentar na diferença. Normalmente as pessoas lidam muito mal com o que lhes é diferente, defendem-se, rejeitam, oprimem, suprimem, em vez de somarem-se na diferença.

          Essas diferenças são muito importantes. Se todos os meus amigos só me fizessem elogios, eu estaria cercado por bajuladores, como alguns monarcas no passado e alguns empresários hoje. O que eu vou aprender com isso? Vou estar errando e todos vão dizer que estou acertando. Não vão me ajudar em nada. Mas quanto aos meus críticos de plantão, quando eu ainda nem tiver chegado a errar e eles já estarão me apontando o dedo. Quem estará me ajudando mais? Quem estará me ajudando mais é aquele que se considera inimigo, mas que, na verdade, é mais eficiente do que os meus amigos ao promover o meu crescimento, porque me mostra o lado sombrio do que eu estou cometendo ou do que estou prestes a cometer. Ele aponta o erro e eu posso corrigi-lo. Sempre comparo o amigo e o inimigo a uma árvore, em que as raízes, que estão nas trevas, que crescem para baixo, são os inimigos, porque estão nas trevas, mas sem os quais a árvore não fica em pé. A árvore precisa das raízes e os inimigos são as raízes. Já os amigos são as flores, são os frutos lindos, maravilhosos, mas sem as raízes, não existiriam.

          O senhor, neste outro livro que acabou de ser lançado em Lisboa, dá logo o exemplo até na dedicatória da obra, porque dedica não só a pessoas que o senhor admira pela luz… Pode nos falar um pouco disso?

          Há pessoas que, às vezes, por implicância, até por não conhecerem bem o outro lado, a outra verdade, atacam, difamam, agridem, injuriam, excluem. Você pode se considerar um perseguido, injustiçado, pode se considerar uma pessoa infeliz, pode ficar ressentido. Ou pode perceber, numa visão de grande angular, que aquilo ali foi extremamente importante e você pode ser grato àquelas pessoas. Mas com sinceridade. Não adianta ser grato com hipocrisia. Obviamente, tem que ser uma atitude autêntica.

          O cristianismo só ficou conhecido porque foi perseguido, senão teria sido uma pequena seita judaica que teria desaparecido logo depois. Mas a perseguição deu visibilidade e, a partir daí, pessoas que concordavam com aquele ponto de vista, puderam conhecê-lo, fortalecer suas fileiras e fizeram com que se perenizasse.

          Links de todas as partes já publicadas:

              A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.

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              13/6/2010   3 comentários

              Entrevista com DeRose – Parte 11: adotando a filosofia pelo exemplo

              Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

              Sua Cultura trabalha, por outro lado, sobre os extremos. Nós devemos trabalhar sobre aquilo que são as nossas dificuldades, os pontos menos bons, ou os pontos que são mais positivos?

              Não sei se eu colocaria dessa forma, porque colocando assim nós, de uma certa forma, cristianizamos um pouco esse conceito, exacerbando a noção do bem e do mal. E a nossa proposta é a de que tenhamos sempre a consciência de que bem e mal são sempre relativos. “Você está fazendo errado.” Mas errado em relação a quê? Com relação a que momento? Richelieu disse, certa vez, que ser ou não ser um traidor é uma questão de datas. É um pouco isso, a respeito do certo e do errado. Em que sociedade, em que religião isto é certo ou isto é errado? Você entra numa igreja católica e tira o chapéu em sinal de respeito. Aí você entra numa sinagoga e coloca-o, em sinal de respeito. Eu me lembro de que uma vez nós fomos visitar um templo sikh, na Índia, e eles pediram para cobrirmos a cabeça. Até a câmera que eles mesmos usavam para gravar o ritual, era coberta em sinal de respeito, com um tecido branco. Conclui-se, portanto, que tudo é convenção. E nós temos que estar conscientes disso cada vez que nos deixarmos conduzir, dentro da tradição que recebemos, que é a do bem e do mal. “Este é o seu lado mau”. “Isto foi um erro cometido”. Talvez, observando sob outra ótica, não seja bem assim. É melhor considerar: isto talvez não tenha sido conveniente, neste momento, ou neste grupo. Não que seja mau, ou que seja errado. Outro sútra diz que mal é o nome que se dá à semente do bem. Porque tudo o que você passou na vida de “mal” ou de “mau”, você pode observar que, em seguida (ou já, ou logo depois), produziu um fruto muito bom.

              Realizando a lucidez do cidadão consciente, o indivíduo lúcido, na viagem para o estado de hiperlucidez, esse sujeito tem que ter uma visão para onde caminha. Como quem vai fazer uma corrida de fundo, ele tem que saber, para se automotivar, para onde ele caminha. A Sua Cultura, como é que o impregna desse sentido objetivo?

              Nós procuramos ver como se fosse uma viagem linda que você está fazendo de trem e que sabe que o percurso conduz a um determinado destino. Mas você olha a bela paisagem do lado de fora, conversa com um amigo do lado de dentro, vai até ao vagão restaurante, delicia-se com uma comidinha, recosta, dorme um pouco. Você usufrui. Você desfruta do prazer da viagem. E, assim, chega mais rápido. E se o indivíduo ficar só pensando: “eu tenho que chegar; o meu destino, o meu destino, o meu destino”. A viagem fica desagradável e parece mais longa. Com relação à nossa meta, a recomendação é: não se preocupe com a meta. Vamos desfrutar a comunidade, as pessoas. As pessoas que, em geral, seguem este sistema, são pessoas interessantes, são pessoas bonitas, por dentro e por fora, são pessoas educadas, sensíveis, que têm assunto para conversar com qualquer interlocutor.

              No entanto, quando nós vemos, por exemplo, uma sociedade conservadora que, vamos imaginar, por exemplo, defende que a mulher deve ter um papel na sociedade, que deve viver para o marido, para os filhos, para as aparências, o estado de lucidez permite a ela derrubar essa fronteira. A sociedade conservadora não hostiliza imediatamente essa lucidez?

              Não, porque nós não criticamos a postura tradicional em muitas sociedades hoje vigentes no mundo. E como a Nossa Filosofia não tem intenção de catequizar, não é uma coisa que queira se expandir e, enfim, tomar simpatizantes de outros sistemas filosóficos, muito menos dos religiosos. Por esse motivo, nunca houve uma reação negativa, nunca houve uma oposição com relação a esta proposta.

              Mas pode haver no âmbito das células familiares. Por exemplo, se eu desconheço determinada luz, sinto-me perdido no meu túnel de sombra e, de repente, aparece uma luz no fundo desse corredor, que pode ser, suponhamos, a Sua Proposta, e eu, de repente, passo a caminhar com outro alento nessa direção. E se o túnel de sombra é criado pela estrutura conservadora que a sociedade foi montando à minha volta, eu torno-me rebelde. Pelo menos caminho numa direção oposta. Essa cisão não cria anticorpos?

              Quando num casal, numa estrutura familiar, um dos dois cônjuges adota esta filosofia e o outro não, eventualmente, pode ocorrer inicialmente alguma dificuldade de comunicação, como se só um dos dois adotasse um partido político, diferente do do outro cônjuge, ou um time desportivo, contrário ao time do outro cônjuge. Isso pode gerar um atrito momentâneo, caso não se verifique uma atitude de compreensão, carinho e respeito. Se você evoluiu, se adotou uma filosofia que tem pretensão a uma evolução maior, uma civilidade maior, uma lucidez maior, quem mudou foi você. Porque os dois se casaram dentro de uma determinada visão que um tinha do outro, e cada qual gostava do outro como ele era. Criaram-se regras e você mudou as regras do jogo, no meio do jogo. Quem está errado não é o cônjuge, que está reagindo mal. Então, você precisa ter mais paciência, tem que ter mais tolerância, deve tentar içá-lo, sem forçá-lo a isso. Talvez consiga incentivá-lo a adotar o mesmo estilo de vida através do exemplo, pela sua forma de agir, mostrando que hoje você é uma pessoa muito melhor para ele ou para ela.

              E se a outra pessoa preferir viver em outro tipo de referências. Por exemplo, quiser viver para as aparências e não para o conteúdo do bolo?

              Tem sido raro. O que nós temos observado, é que, se houver o processo que eu mencionei, de tolerância, de paciência e de carinho, cativando a outra pessoa ao invés de cobrar dela uma postura, o cônjuge, geralmente, acompanha. Porque gosta do que está vendo. Seja marido, seja mulher, nota que o outro melhorou. Melhorou como pai ou mãe, melhorou como marido ou esposa, melhorou como amante, melhorou como companheiro, como amigo. Então, em geral, ele ou ela acaba aceitando de bom grado e adotando a mesma filosofia de vida.

              Links de todas as partes já publicadas:

                  A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
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                  13/6/2010   1 comentário

                  Entrevista com DeRose – Parte 10: a liberdade e a disciplina

                  Trecho da entrevista concedida pelo Comendador DeRose ao jornalista António Mateus, no Palácio Pestana, em Lisboa, no ano de 2009.

                  Quando o senhor, por exemplo, promove, em um dos seus pensamentos, defender a liberdade como primeiro pilar da nossa existência e, quando ela se choca com a disciplina, primar sempre pela liberdade.

                  Esse pensamento é bem categórico. Ele proclama que a liberdade é o nosso bem mais precioso.

                  No entanto, pela oposição, nós precisamos ter uma disciplina interior e existencial para defender os valores. Onde é que as duas fronteiras se cruzam?

                  A continuação desse pensamento diz que se a disciplina violentar a liberdade, opte pela liberdade. Como é que nós vamos temperar essas duas forças? A disciplina é fundamental, mas, se a disciplina de um grupo especifico, qualquer grupo que seja, um grupo político, um grupo de esporte, um clube de futebol, não importa o quê, se este grupo tem normas e tais normas, tal disciplina me violenta, eu devo priorizar a liberdade. Fazendo o quê? Brigando, indo contra? Não! Afastando-me. Obviamente, tal grupo não serve para mim. Esta empresa, este colégio, esta faculdade, este clube, não serve, porque suas normas me violentam. Então, eu saio procurando preservar as amizades e vou procurar a minha turma. Se nós fizermos isso, ao invés de querer bater de frente, conseguiremos desfrutar uma vida muito melhor. E é claro que eu respeito quem pensa o contrário. Há quem tenha a opinião de que, para defender um ponto de vista, nós precisamos brigar, gritar, insultar, agredir, fazer escândalo. É uma questão de temperamento, de educação, de caráter. Está bem. Mas esse é um outro grupo. Sempre que possível, procuro ficar distante dele.

                  O senhor, por exemplo, defende a disciplina, o rigor, a farda, o vestir da camisola [no Brasil, diz-se vestir a camiseta], e esse coletivo pressupõe uma secundarização do indivíduo. É correto isso?

                  Não, não é. Nosso discurso pressupõe que tudo que você disse é válido, desde que não violente o indivíduo. Não pode violentar a liberdade dele e tem que estar bem assentado sobre a tolerância. Se nós conseguirmos esse amálgama, que é alquímico, encontramos ali o equilíbrio do fio da navalha. Porque realmente é um equilíbrio sobre um caminho muito estreito. Uma brisa faz com que você se incline para um lado, para o extremismo da intolerância, da disciplina que tem que ser cumprida a todo custo, ou para o outro lado, da tolerância excessiva, da complacência com a falha.

                  Links de todas as partes já publicadas:

                      A entrevista foi transcrita por Alexandre Montagna e simultaneamente por Renata Coura e Maicon Casagrande, com a colaboração de Caio Martareli,
Priscila Ramos, Raffa Loffredo, Taline Mendes, Rômulo 
Justa e Alessandra Filippini. Revisões sucessivas feitas por Fernanda Neis, Alessandra Roldan, DeRose e Camacho.

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                      12/6/2010   2 comentários